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13/01/2026

REDES4VALUE converte redes de pesca em nylon reciclado para aplicações industriais

REDES4VALUE 1baja

O abandono de redes de pesca em mares e oceanos constitui um dos problemas ambientais mais persistentes. Para dar resposta a esta situação, o projeto REDES4VALUE trabalha na recuperação e valorização de redes de pesca fora de uso, transformando-as em novos produtos sustentáveis e de elevado valor acrescentado, como o nylon reciclado, filmes para embalagens e coberturas agrícolas, peças para o setor automóvel, bem como peças de grande formato produzidas por fabrico aditivo. Tudo isto a partir de processos inovadores de reciclagem mecânica, química e extrusão reativa.

Esta iniciativa, financiada pelo Instituto Valenciano de Competitividade e Inovação (IVACE+i) e pelos fundos FEDER, reúne um consórcio formado pela AIMPLAS, UBE, ZIKNES e pela Universitat de València. O objetivo comum: fechar o ciclo de vida das poliamidas e reduzir a poluição marinha através de soluções inovadoras aplicáveis à indústria.

Embora muitas redes sejam fabricadas com polietileno ou polipropileno, o projeto centra-se nas redes de poliamida, um material com grande potencial para a reciclagem química. A sua estrutura permite recuperar monómeros como a caprolactama e obter novas poliamidas com propriedades praticamente idênticas às virgens.

“Estamos a alcançar condições otimizadas para despolimerizar as redes e recuperar monómeros com purezas superiores a 95% em algumas correntes em estudo a nível laboratorial e superiores a 80 % em escalas piloto. Isto permitir-nos-á repolimerizar e obter novas poliamidas com qualidade equivalente à virgem, explica Nairim Torrealba, investigadora em Reciclagem Química na AIMPLAS.

As poliamidas recicladas destinam-se a setores como a embalagem, a agricultura, o setor automóvel ou a impressão 3D. Empresas como a UBE já analisam a sua comercialização e a ZIKNES adapta os seus equipamentos para validar peças de grande formato. As primeiras aplicações poderão incluir embalagens, coberturas agrícolas, componentes de automóveis e demonstradores 3D de grandes dimensões.

“São materiais com aplicação imediata na indústria e com uma clara vantagem em termos de sustentabilidade face às poliamidas convencionais. Estas soluções não só reduzem a dependência de matérias-primas virgens, como também abrem novas oportunidades para a indústria em termos de sustentabilidade e economia circular”, assinalou Torrealba.

REDES4VALUE 2 baixa

Tecnologia disruptiva e colaboração internacional

O REDES4VALUE avança em processos como a despolimerização hidrotérmica, a solvólise assistida por líquidos iónicos ou a extrusão reativa, além de avaliações completas do ciclo de vida e viabilidade. Um dos principais desafios do projeto é o tratamento de redes muito degradadas e com elevada presença de impurezas, mas os resultados estão a ser muito promissores.

A colaboração com a marca Sea2See permitiu ter à disposição redes recuperadas no Gana desde 2019, e foi fundamental para estruturar a cadeia de valor circular desde a origem do resíduo. “Sem esse contributo de material não seria possível avançar. As redes que chegam do Gana são essenciais para validar os processos e obter resultados reais”, afirmou Torrealba.

Consórcio e próximos passos

O projeto conta com a AIMPLAS como responsável pelas tarefas de reciclagem química, a UBE na parte de escala e repolimerização, a ZIKNES na validação em impressão 3D e o grupo MATS da Universitat de València (MATS-UV) nos estudos de solvólise e cinética. “O nosso objetivo é consolidar uma linha de reciclagem química que possa ser aplicada a resíduos complexos e demonstrar que é uma solução real e necessária”, concluiu Torrealba.

Além disso, cabe destacar que esta iniciativa conta com o financiamento do Instituto Valenciano de Competitividade e Inovação (IVACE+i), através do programa de Projetos Estratégicos em Cooperação na sua convocatória de 2024, e dos fundos FEDER.