AIMPLAS reforça em 2025 as suas linhas de investigação para impulsionar a sustentabilidade e a competitividade do setor dos plásticos
Graças ao apoio do Instituto Valenciano de Competitividade e Inovação (IVACE+i), com financiamento da Generalitat Valenciana, a AIMPLAS, Instituto Tecnológico do Plástico, reforçou ao longo de 2025 a sua atividade de I+D+i independente para continuar a impulsionar a sustentabilidade, a competitividade e a adaptação regulamentar do setor do plástico, reforçando assim a transferência de conhecimento para a indústria.
Neste exercício, o centro centrou a sua atividade em reciclagem avançada, economia circular, química sustentável, agricultura, packaging, cidades, mobilidade e energia, e caracterização de materiais, além de consolidar o funcionamento do seu Plastics Living Lab como ambiente real de validação tecnológica.
Reciclagem avançada: biotecnologia, separação e reciclagem química
Na linha de reciclagem, a AIMPLAS trabalhou no desenvolvimento de soluções avançadas para melhorar a qualidade do material reciclado e facilitar a sua incorporação em aplicações de elevado valor acrescentado, bem como na utilização de microrganismos para aumentar a eficiência e a sustentabilidade dos processos. Entre os principais avanços, destacam-se a seleção de microrganismos para a melhoria da qualidade do solo, o aumento da eficiência enzimática aplicada ao setor do plástico e o desenvolvimento de tecnologias de separação de resíduos complexos, especialmente provenientes dos setores elétrico, eletrónico e automóvel, antecipando-se aos novos requisitos legislativos europeus.
Do mesmo modo, avançou-se na aplicação de fluidos supercríticos para a descontaminação de plásticos reciclados, permitindo a sua utilização em embalagens, e na evolução da reciclagem química para processos mais eficientes, como a eletrodespolimerização e a eletrodeposição orientada para a recuperação de matérias-primas críticas, fundamentais para setores como as energias renováveis.
Economia circular: análise ambiental, ecodesign e passaporte digital
As linhas de investigação em economia circular foram estruturadas em quatro pilares-chave. Por um lado, a análise do ciclo de vida, pegadas ambientais e avaliação de riscos, com especial atenção ao apoio às empresas na implementação de análises globais exigidas pela regulamentação europeia.
Em ecodesign, a AIMPLAS desenvolveu uma ferramenta digital capaz de diagnosticar a reciclabilidade de um produto em questão de horas, facilitando a tomada de decisões em fases iniciais de desenvolvimento.
Além disso, o centro trabalhou ativamente no passaporte digital do produto, colaborando com empresas do setor para melhorar a rastreabilidade, a gestão de dados e a conformidade regulamentar, e continuou a avançar em modelos de reutilização, tanto para embalagens industriais como domésticas, em colaboração com diferentes SCRAP.
Packaging: polímeros naturais e revestimentos avançados
No âmbito do packaging, o centro continuou a otimizar materiais e formulações de revestimentos à base de polímeros naturais para o seu processamento através de tecnologias convencionais como a extrusão, a injeção ou a aplicação de revestimentos por tecnologias de impressão, melhorando as suas propriedades de barreira e mecânicas. Como novidade, foram incorporadas tecnologias de tratamento de superfície para melhorar a ancoragem de novos revestimentos, promovendo o desenvolvimento de embalagens mais sustentáveis e reutilizáveis. Adicionalmente, continuou-se a trabalhar na melhoria da resistência química de materiais plásticos para aplicações de embalagens reutilizáveis ou para favorecer a utilização de materiais reciclados.
Cidades, mobilidade e energia: materiais para o futuro
Na linha de investigação relativa a cidades, mobilidade e energia, a AIMPLAS trabalhou no desenvolvimento de compósitos avançados, combinando materiais reciclados, sustentáveis e fibras naturais para aplicações na construção, no espaço e na energia.
Destacam-se os avanços em tubagens termoplásticas para transporte de hidrogénio, em componentes para armazenamento de energia, em fabrico avançado, impressão 3D de moldes, plastrónica e eletrónica impressa, bem como em materiais sustentáveis para isolamento térmico e acústico e geopolímeros translúcidos para construção e design de interiores.
Química sustentável: novas rotas e controlo de contaminantes
No âmbito da química sustentável, a AIMPLAS avançou no desenvolvimento de novas rotas sintéticas mais sustentáveis, com aplicações diretas em setores como o cosmético (através do desenvolvimento de cápsulas e outros sistemas funcionais), packaging, agricultura, saúde, transporte, etc.
Também foram desenvolvidos materiais intrinsecamente ativos, como aditivos luminescentes e fotoluminescentes, e foi reforçada a investigação na eliminação de contaminantes, tanto no ar, através de adsorventes avançados, como na água, através de fotocatalisadores, membranas e novos sistemas de caracterização.
Agricultura: materiais sustentáveis e libertação controlada
Na linha de agricultura, a AIMPLAS avançou no desenvolvimento de novos materiais plásticos técnicos adaptados às culturas; controlo da temperatura, do comprimento de onda, bem como a sensorizaçao destas coberturas de estufa para monitorizar a sua funcionalidade ao longo do tempo. Do mesmo modo, trabalhou-se na valorização de resíduos agrícolas, tanto para a sua incorporação como cargas em diferentes polímeros, como na utilização de extratos naturais como ingredientes ativos.
Também continuou a trabalhar no desenvolvimento de polímeros naturais como uma ferramenta para a gestão da eficiência hídrica, com desenvolvimentos como a água sólida e os hidrogéis biodegradáveis no solo em menos de 33 meses, de acordo com a regulamentação europeia.
A incorporação de ingredientes ativos nos diferentes desenvolvimentos em plasticultura permite a libertação controlada destes e a obtenção de compostos integrados para melhorar a saúde e a nutrição do solo.
Caracterização de materiais: ensaios acelerados, segurança e ambiente
A partir da área de Laboratórios, a AIMPLAS trabalhou no desenvolvimento de metodologias avançadas de caracterização, centrando-se na durabilidade, sustentabilidade e segurança dos materiais. Foram desenvolvidos ensaios acelerados de fadiga, gerando modelos preditivos de vida útil para setores como o automóvel, aeroespacial e energias renováveis.
Em biodegradabilidade e microplásticos, foram otimizados métodos de ensaio e análise em matrizes complexas. Do mesmo modo, foram alargados os estudos de contaminantes emergentes, PFAS, bioensaios e NIAS, incorporando técnicas analíticas avançadas e ferramentas preditivas orientadas para o design de materiais seguros e sustentáveis.
Living Lab: validação real e monitorização inteligente
Durante 2025, a AIMPLAS consolidou a atividade do seu Plastics Living Lab, focando os esforços na monitorização e validação de desenvolvimentos em condições reais.
Foram implementados sistemas de recolha de dados para analisar o comportamento de diferentes plásticos agrícolas em estufas, avaliando parâmetros como luz, humidade e temperatura. Do mesmo modo, foi iniciada a validação de pás eólicas fabricadas com diferentes materiais, através da entrada em funcionamento de um aerogerador experimental.
Outro dos marcos foi o fabrico aditivo de grande formato, onde foi validada a utilização de materiais plásticos carregados com resíduos agrícolas, demonstrando a sua viabilidade técnica e a sua integração no ambiente com impacto ambiental reduzido.
