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03/02/2022

Novo adesivo sustentável elimina as barreiras à compostabilidade das embalagens

adhesivo biobasado

Garrafas, briks ou tabuleiros são embalagens muito presentes no nosso dia a dia que têm um elemento comum: os adesivos. Presentes nas etiquetas que informam sobre o produto que contêm; nos tabuleiros com fecho adesivo destacável ou re-fechável; em embalagens multicamada onde unem as diferentes camadas que as compõem; ou até nas fitas que fecham caixas ou sacos.

Os adesivos convencionais provêm de fontes não renováveis, pelo que, se forem utilizados em embalagens compostáveis, podem comprometer as suas propriedades de recuperação, além de piorarem a qualidade do composto obtido.

Neste sentido, a AIMPLAS trabalha para obter uma gestão muito mais simples e sustentável no fim da sua vida útil graças ao adesivo inovador de base biológica e compostável que está a desenvolver, o primeiro com estas características e que irá colmatar uma lacuna no mercado.

A AIMPLAS trabalha nesta solução pioneira no âmbito do projeto ADHBIO, financiado pela Agência Valenciana de Inovação (AVI). Trata-se de um adesivo do tipo termofusível ou hot-melt que apresenta um teor superior a 95 % de polímeros de origem renovável e oferece a mesma funcionalidade que os adesivos convencionais de origem fóssil e não biodegradáveis.

adesivo de base biológica

“Não existe uma formulação como a proposta neste projeto, com o qual trabalhamos numa alternativa desenvolvida a partir de copolímeros à medida baseados em ácido poliláctico (PLA). Atualmente existem alguns produtos comerciais baseados neste composto, mas têm uma reduzida percentagem de base biológica, entre 15 % e 60 %, apresentam limitações na sua compostabilidade em quaisquer condições e também não demonstraram a sua funcionalidade”, explica Miguel Ángel Valera, investigador principal do projeto na AIMPLAS.

Adesivos hot-melt, uma procura em alta

A tecnologia proposta responde a uma enorme procura, uma vez que o adesivo hot-melt representa entre 15 % e 21 % do volume global de produção e consumo de adesivos. Além disso, o crescimento anual médio total da taxa de consumo deste tipo de adesivos é 1,5 a 2 vezes superior ao de outros tipos.

Desta forma, o adesivo de base biológica e compostável proposto permite gerir o fim de vida dos produtos que o contêm sem necessidade de o eliminar, uma vez que, em algumas das aplicações estudadas, nem sequer será necessária a sua separação, como é o caso da sua utilização em etiquetas de papel, ao permitir que seja gerido em unidades de compostagem juntamente com o film ou saco compostável (também serviria para garrafas ou qualquer outro tipo de embalagem) onde adira.

Noutras aplicações, como as que implicam a sua utilização em embalagens compostas por várias camadas laminadas, como os briks, o adesivo cumpre uma dupla função: por um lado, permite a separação de camadas porque tem a propriedade de ser removível ou destacável, o que constitui uma clara vantagem para a sua posterior gestão em embalagens multimateriais cujo fim de vida seja a reciclagem; por outro lado, o adesivo pode ser gerido em conjunto no caso de a embalagem que o contenha também ser compostável.

Nas palavras de Miguel Ángel Valera, o adesivo em que a AIMPLAS trabalha é “intrinsecamente mais amigo do ambiente porque não utiliza solventes, o que contribui para reduzir as emissões de compostos orgânicos voláteis (COVs) e os riscos associados, bem como o consumo energético que implica eliminar esses solventes noutros tipos de adesivos”.

Impacto no setor

A implementação deste novo adesivo representará um grande avanço para o setor das embalagens, que poderá minimizar o impacto ambiental da sua atividade e cumprir a legislação em vigor.

Para a análise de viabilidade técnico-económica e comercial do adesivo proposto, o projeto conta com o apoio de cinco empresas da Comunidade: BIOPOLIS, S.L., VALLES PLASTIC FILM, S.L., TIMBRADOS VALENCIA, S.L. (IMCOVEL), TERMOFORMAS DE LEVANTE, S.L., GUEROLA S.A. e MIARCO, S.L., fabricante líder em Espanha de fitas hot-melt, cujo papel no projeto é fundamental para alcançar a transferência de conhecimento para o tecido empresarial.

“Uma das vantagens deste adesivo é a sua grande versatilidade, pelo que é aplicável a muitos outros setores, como, por exemplo, o de produtos sanitários e de higiene feminina, fraldas, calçado, automóvel ou mobiliário, entre outros”, detalha Ángel Valera.

Esta investigação faz parte de toda uma linha de trabalhos que a AIMPLAS realiza para adaptar a cadeia de valor dos plásticos da Comunidade Valenciana ao modelo de economia circular. Para este projeto, a AIMPLAS conta com a colaboração do INESCOP, Centro Tecnológico do Calçado, e do Servei Central de Suport a la Investigació Experimental (SCSIE) da Universitat de València.

O Projeto ADHBIO foi financiado no âmbito do Programa de Valorização e transferência de resultados de investigação para as empresas, com o cofinanciamento dos fundos FEDER da UE, no âmbito do Programa Operacional FEDER da Comunitat Valenciana 2014-2020, convocadas pela Resolução de 14 de janeiro de 2021, do vice-presidente executivo da Agência Valenciana de Inovação (AVI), e destinadas ao reforço e desenvolvimento do Sistema Valenciano de Inovação para a melhoria do modelo produtivo para os exercícios de 2021 a 2023.AVI