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20/06/2025

O AIMPLAS Challenge Forum reúne 100 profissionais para dar resposta, de forma colaborativa, aos grandes desafios dos plásticos

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Uma centena de profissionais dos âmbitos industrial, tecnológico e académico participou no AIMPLAS Challenge Forum 2025, um evento internacional organizado pela AIMPLAS sob o lema “From Science to Market”, que abordou os principais desafios tecnológicos, ambientais e de mercado que a indústria dos plásticos enfrenta em nove setores estratégicos, ligando empresas a especialistas internacionais, universidades e centros tecnológicos.

O evento foi estruturado em duas jornadas: a primeira, a 19 de junho, dedicada a apresentações de alto nível, moderada pela divulgadora científica Deborah García, e a segunda, a 20 de junho, centrada em reuniões B2B, onde as empresas podem colocar os seus próprios desafios e explorar soluções colaborativas.

A abertura da jornada esteve a cargo do diretor da AIMPLAS, José Antonio Costa, que destacou “com este fórum queremos valorizar que a colaboração entre ciência, indústria e tecnologia, com o apoio da Administração, é fundamental para enfrentar os grandes desafios dos plásticos em diferentes setores. O AIMPLAS Challenge Forum torna-se, nestes dias, um ponto de encontro estratégico, no qual as empresas, as universidades e os centros tecnológicos podemos ligar os nossos desafios reais a soluções concretas para impulsionar a competitividade e o crescimento sustentável numa perspetiva responsável e transformadora”.

De seguida, Yolanda Cárcel Fons, chefe do Serviço de Inovação no Setor Público e Compra Pública de Inovação, IVACE+i Inovação, apresentou o programa de Ações Complementares de Impulso e Reforço da Inovação, no qual se enquadra esta iniciativa integrada no projeto Sci2Market, sublinhando o compromisso institucional com a inovação e a sustentabilidade e apresentando o AIMPLAS Challenge Forum como um “claro exemplo da dinamização do Sistema Valenciano de Inovação para envolver todos os seus agentes no trabalho conjunto e na cooperação para continuar a impulsionar novos projetos de I&D”.

Durante a jornada, foram colocados em cima da mesa alguns dos desafios mais urgentes e transversais em torno dos plásticos na sua transição para modelos mais sustentáveis e inovadores na sua aplicação em diferentes áreas. Desde o desenvolvimento de sistemas pré-fabricados recicláveis para a construção, até à impressão 3D de grande formato com materiais sustentáveis, passando pela valorização de resíduos agroalimentares para gerar novos materiais ou pela implementação do Digital Product Passport como ferramenta-chave para a rastreabilidade e circularidade dos produtos. Estes desafios, entre muitos outros, são o ponto de partida das mais de 40 reuniões B2B realizadas durante o segundo dia do fórum, onde empresas, universidades e especialistas trabalham em conjunto na procura de soluções reais e aplicáveis.

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Embalagem alimentar, descarbonização e agricultura

Durante a sessão de apresentações, Theofania Tsironi, Engenheira Química na Universidade Agrícola de Atenas, foi a primeira especialista a abordar as tendências e os desafios dos plásticos no âmbito das embalagens alimentares. Tsironi detalhou as práticas atuais e os desafios na conservação de alimentos através de embalagens e destacou a importância de selecionar adequadamente as matérias-primas, garantir a segurança alimentar e desenvolver packaging inteligente e ativo para combater o desperdício alimentar.

Seguiu-se Joan Ramón Morante, diretor do Instituto de Investigação em Energia da Catalunha (IREC), que explicou as oportunidades de descarbonização na indústria do plástico. “O carbono armazenado em produtos não é um resíduo”, afirmou. Morante abordou temas-chave como as tecnologias de captura direta de CO₂, o uso de fontes biogénicas ou o carbono circular a partir de matérias-primas recicladas para aumentar a vida útil dos recursos fabricados.

Na sua intervenção, Pietro Picuno, professor de Agricultura na Universidade da Basilicata, apresentou o projeto TANGO-Circular, que promove a formação de agricultores para valorizar agroplásticos pós-consumo, e sublinhou que “a participação ativa do setor agrícola é fundamental para aplicar de forma eficaz o conceito de economia circular”.

Economia circular, saúde e reciclagem

Ainda no âmbito da economia circular, Denisa Gibovic, CEO e fundadora da Blue Room Innovation, apresentou um portefólio de ferramentas digitais interoperáveis e projetos-piloto desenvolvidos sob uma visão comum: “Tornar a circularidade rastreável, fiável e participativa”, desde a ciência cidadã até a quadros globais de rastreabilidade.

Por sua vez, Robert Peeling, diretor de Serviços Técnicos na Britest Limited, apresentou o projeto ETERNAL, centrado em reduzir o impacto ambiental dos produtos farmacêuticos desde a sua conceção. Peeling salientou a necessidade de aplicar metodologias de avaliação precoce da sustentabilidade no âmbito da saúde.

Na sua vez, José Antonio Alarcón, CEO na Iberian Global Business Solutions, defendeu uma abordagem integrada da reciclagem. “O que não se recolhe não se separa, e o que não se separa não se recicla”. Alarcón insistiu na importância de conceber produtos recicláveis desde a origem e de melhorar as tecnologias de separação, onde a inteligência artificial desempenha um papel fundamental.

Mobilidade, construção e fabrico aditivo

Após uma visita à AIMPLAS e já na sessão da tarde, Ángel Lagraña, consultor no Massachusetts Institute of Technology (MIT), abordou os desafios estratégicos do hidrogénio como fonte energética para o transporte do futuro. Lagraña explicou que cada tecnologia oferece um compromisso diferente entre autonomia, peso e resposta rápida, e que o desafio está em como as combinar consoante a missão. Acrescentou ainda que os facilitadores tecnológicos do hidrogénio na mobilidade passam pela melhoria da eficiência na produção e no armazenamento com materiais avançados, pela integração do hidrogénio em sistemas energéticos híbridos e pelas redes inteligentes de transporte.

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De seguida, Benito Lauret, diretor do Mestrado de Fachadas da Universidade Politécnica de Madrid (UPM), destacou o potencial dos plásticos em fachadas singulares, especialmente em aplicações de grande formato e elevada transparência. “O plástico pode alcançar maiores dimensões com melhor transparência do que o vidro”, afirmou, citando o caso do Skypool de Londres. Assinalou também que os principais desafios estão no transporte e na montagem destes formatos.

E, para terminar, Louison Poudelet, responsável de I&D em impressão 3D no CIM UPC, abordou as novas soluções que o fabrico aditivo pode trazer à indústria dos plásticos. Assim, explicou os avanços na impressão 3D funcionalizada no que diz respeito ao desenvolvimento de novos materiais, ao uso de multimateriais, cor e propriedades à medida, e destacou o potencial do fabrico aditivo em aplicações na área da saúde ou da energia, por exemplo.

Reuniões B2B: desafios reais, soluções colaborativas

Ao longo do segundo dia, as empresas participantes colocaram os seus próprios desafios em sessões B2B com especialistas e centros tecnológicos. Estes desafios, específicos de cada setor, abrangem desde a conceção de materiais sustentáveis, a reutilização de embalagens, a valorização de resíduos, até à implementação de tecnologias digitais como o Digital Product Passport ou a sensorização no transporte. Outros desafios colocados incidem sobre a reciclagem de materiais multicamada, o compounding farmacêutico, materiais leves para a mobilidade ou sistemas pré-fabricados recicláveis para a construção.

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