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Sergio Navarro García, Ph.D
Investigador en Construcción y Energías Renovables en AIMPLAS
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Blog
15/05/2026

Avanços no desenvolvimento de placas bipolares poliméricas condutoras por extrusão direta

Placas bipolares baterias

As placas bipolares são um componente essencial em dispositivos electroquímicos como pilhas de combustível de hidrogénio, electrolisadores e baterias. Na AIMPLAS, desenvolvemos um processo de extrusão direta que integra numa única etapa a formulação do material compósito polimérico condutor e a obtenção de folhas planas, simplificando o fabrico e abrindo caminho à sua escalabilidade industrial.

Por que são as placas bipolares essenciais nas pilhas de combustível e nos electrolisadores?

O crescimento da procura energética global, aliado à necessidade urgente de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, está a impulsionar o desenvolvimento de tecnologias avançadas de armazenamento e conversão de energia. Neste contexto, dispositivos electroquímicos como baterias, electrolisadores e pilhas de combustível de hidrogénio assumem um papel cada vez mais relevante.

Dentro destes dispositivos, as placas bipolares constituem um elemento essencial, uma vez que permitem:

  • A condução elétrica entre células
  • A distribuição adequada dos meios reactivos
  • A gestão térmica do sistema

Quais são as limitações dos materiais metálicos e grafíticos tradicionais?

Tradicionalmente, estas placas têm sido fabricadas a partir de materiais metálicos ou grafíticos, que oferecem uma elevada condutividade elétrica, mas apresentam limitações importantes em termos de:

  • Peso: soluções mais pesadas que penalizam a eficiência global do sistema
  • Custo: processos de fabrico complexos e onerosos
  • Corrosão: maior vulnerabilidade em ambientes electroquímicos agressivos
  • Processabilidade: dificuldade de integração em linhas de produção contínua

Como alternativa, nos últimos anos tem crescido o interesse pelo desenvolvimento de materiais compósitos baseados em matrizes poliméricas carregadas com materiais condutores, que permitem combinar leveza, resistência química e potencial de fabrico em larga escala.

Que desafios colocam os compósitos poliméricos condutores?

Um dos principais desafios destes sistemas reside em alcançar níveis adequados de condutividade elétrica sem comprometer a processabilidade do material. Para tal, é necessário incorporar elevadas quantidades de cargas condutoras, o que pode dificultar o processamento e afetar as propriedades mecânicas do material final.

Além disso, os processos tradicionais de fabrico implicam normalmente várias etapas, separando a obtenção do material compósito (compounding) da sua posterior conformação.

Como funciona o processo de extrusão direta desenvolvido pela AIMPLAS?

Com o objetivo de superar estas limitações, na AIMPLAS desenvolvemos uma estratégia inovadora baseada na extrusão direta, que integra numa única etapa a formulação do material compósito e a obtenção de folhas planas.

Esta abordagem representa uma simplificação significativa do processo produtivo:

  • Menos etapas: compounding e conformação numa única operação
  • Redução de tempos e custos de fabrico
  • Escalabilidade industrial facilitada pelo processo contínuo
  • Versatilidade: avaliação eficiente de diferentes formulações e condições de processamento

Para o efeito, foi realizada uma adaptação da linha de compounding, o que permitiu produzir diretamente folhas com potencial aplicação no fabrico de placas bipolares, mas também para a obtenção de eléctrodos ou electrólitos sólidos.

Direct extrusion

Esquema do processo de extrusão direta.

Que matrizes poliméricas e cargas condutoras foram avaliadas?

O trabalho experimental centrou-se no estudo de diferentes combinações de matrizes poliméricas e materiais condutores:

Matrizes poliméricas

  • Polipropileno (PP)
  • Polietileno de alta densidade (HDPE)

Cargas condutoras avaliadas

  • Grafeno
  • Negro de fumo
  • Nanotubos de carbono

Todas as cargas foram avaliadas tanto em formato de pó como em masterbatch.

Que resultados obteve a AIMPLAS com a extrusão direta?

Os resultados obtidos evidenciam a importância de fatores como a dispersão da carga, o teor incorporado e as condições de processamento, os quais influenciam de forma determinante as propriedades finais do material. Os parâmetros de extrusão revelaram-se igualmente um fator crítico na qualidade final das folhas produzidas.

De forma global, o estudo permitiu demonstrar a viabilidade da extrusão direta como tecnologia para a obtenção de folhas poliméricas condutoras, oferecendo uma alternativa mais eficiente face aos processos convencionais. Esta abordagem não só simplifica o fabrico, como abre caminho a novas estratégias de conceção de materiais adaptadas a aplicações energéticas avançadas.

Os desenvolvimentos realizados representam um passo em frente no fabrico de placas bipolares mais leves, económicas e compatíveis com processos industriais contínuos. Num contexto em que a transição para modelos energéticos mais sustentáveis é cada vez mais urgente, este tipo de inovações contribui para melhorar a competitividade e a viabilidade de tecnologias-chave como as pilhas de combustível de hidrogénio e os electrolisadores, favorecendo a sua implementação em larga escala nos próximos anos.

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