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31/05/2022

Reciclagem Química em Espanha: Apostar num futuro circular

A AIMPLAS, juntamente com a Plastics Europe (associação pan-europeia de produtores de plásticos) e a Feique (Federação Empresarial da Indústria Química Espanhola), apresentou o relatório “Reciclagem Química em Espanha: Apostar num futuro circular”, o primeiro estudo no qual se analisa a situação e o grau de implementação da reciclagem química em Espanha e se realiza uma prospetiva futura, tendo em conta os importantes investimentos empresariais já anunciados para o desenvolvimento desta tecnologia. Uma das principais conclusões do estudo é que, tendo em conta os múltiplos investimentos que vão ser realizados, estima-se que até 2025 se multipliquem por 40 as capacidades de tratamento de resíduos por reciclagem química, atingindo quase meio milhão de toneladas nessa data.

O relatório, apresentado num evento virtual inaugurado por Ismael Aznar, diretor-geral de Qualidade e Avaliação Ambiental do Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico perante mais de 800 participantes, oferece uma visão geral, presente e futura da indústria da reciclagem química em Espanha e o seu potencial de contribuição para a economia circular e a neutralidade climática. O evento contou também com a mesa-redonda: Inovações para um futuro circular, moderada pela Forética, na qual a BASF, a Repsol, a SEALED AIR e o Grupo Nueva Pescanova expuseram diferentes projetos que já puseram em marcha.

Nova matéria-prima a partir de resíduos

A reciclagem química é o conjunto de tecnologias que permite decompor os resíduos plásticos (e outros materiais) nos seus componentes básicos e transformá-los em valiosas matérias-primas secundárias para produzir novos produtos químicos e plásticos, favorecendo assim a circularidade dos recursos. Esta tecnologia permite o tratamento dos resíduos plásticos que não podem ser reciclados mecanicamente e que, atualmente, são depositados em aterros ou incinerados.

Os plásticos são materiais versáteis e duradouros, de grande valor e utilidade para a indústria, a economia e a sociedade em geral. Atualmente, estão presentes numa infinidade de setores de aplicação, contribuindo para a sustentabilidade graças às suas propriedades: ajudam a reduzir o desperdício de alimentos, a diminuir as emissões no transporte e a limitar as necessidades energéticas dos edifícios, entre outros, contribuindo assim para a luta contra a crise climática.

Os produtos fabricados com materiais plásticos, no final da sua vida útil, convertem-se em resíduos que devem ser geridos e reciclados de forma adequada para poderem ser introduzidos novamente nos processos produtivos, favorecendo desta forma a transição para uma economia circular de baixo carbono. As tecnologias de reciclagem são diversas: desde a mecânica à química, passando pela reciclagem por dissolução (ou física). A união e complementaridade destas são alavancas fundamentais para alcançar os objetivos de sustentabilidade, circularidade e neutralidade climática da União Europeia e da própria indústria.

Ismael Aznar transmitiu durante a sua intervenção o apoio do Ministério da Transição Ecológica no impulso desta tecnologia que já foi incluída no Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência: “Temos de avançar para uma nova economia do plástico, um modelo circular no qual se incremente a reutilização e no qual os resíduos plásticos, bem geridos, sejam aproveitados como nova matéria-prima. Nesse contexto, a reciclagem química está chamada a desempenhar um papel relevante e, por esse motivo, queremos apoiá-la através do PERTE de Economia Circular.”

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Da mesma forma, Rafael Jiménez, presidente da Plastics Europe na região Ibérica, salientou o potencial de Espanha para se tornar uma referência europeia de reciclagem química: “Não há dúvida de que estas novas tecnologias de reciclagem química têm o potencial de nos ajudar a reciclar mais quantidade de resíduos plásticos e convertê-los em matérias-primas circulares, diminuindo assim o uso de recursos de origem fóssil. Espanha pode posicionar-se como referência neste âmbito. Para tal, têm de verificar-se algumas condições-chave como, por exemplo, o reconhecimento legal da abordagem de balanço de massa para medir o conteúdo reciclado e assegurar que a reciclagem química conte para os objetivos regulamentares da UE em matéria de reciclagem e conteúdo reciclado“.

Por sua vez, José Antonio Costa, diretor-geral da AIMPLAS, destacou na apresentação do estudo pioneiro que: “A reciclagem química é uma tecnologia incipiente que deve ser utilizada de forma complementar à reciclagem mecânica. No entanto, apesar de abrirem novas possibilidades de gestão dos resíduos plásticos, ainda necessita de tempo para alcançar o seu pleno potencial a nível industrial e tem importantes desafios pela frente que devem ser superados, em alguns casos, mediante melhorias nos próprios processos“.

Por seu lado, Carles Navarro, presidente da Feique, assinalou: “Encaramos o futuro desta tecnologia com otimismo, mas conscientes dos múltiplos desafios a enfrentar e da necessidade de criar um cenário propício para atrair os investimentos que o seu arranque requer. Espanha deu um passo muito importante ao ser o primeiro país a incluir numa Lei o reconhecimento da reciclagem química. É um ponto de viragem que nos coloca numa situação privilegiada. É aqui que a indústria química desempenhará um papel primordial com a sua liderança e investimento em I&D&i“.

 

Impulso à reciclagem química

Como recolhe o relatório, a implementação da reciclagem química à escala industrial requer um quadro regulamentar estável e previsível que defina a reciclagem a partir da neutralidade tecnológica. Além disso, torna-se necessária a colaboração público-privada, juntamente com os restantes agentes da cadeia de valor do ecossistema dos plásticos. Neste sentido, o relatório indica que Espanha também é pioneira quanto ao quadro regulamentar, já que, com a Lei de Resíduos e Solos Contaminados para uma Economia Circular, o nosso país tornou-se o primeiro da União Europeia a incluir a reciclagem química num documento legislativo. Da mesma forma, é o primeiro país europeu a aprovar uma proposição não de lei para promover o uso de produtos valorizados por processos de reciclagem química de plásticos.

No entanto, para que este tipo de reciclagem possa alcançar todo o seu potencial, ficam numerosos desafios pela frente, como desenvolver critérios claros de fim de condição de resíduo ou que se reconheça o balanço de massas como metodologia de rastreabilidade do conteúdo em reciclagem química proveniente destas novas tecnologias.

A mesa-redonda, moderada por Beatriz Laso, responsável pelo Grupo de Ação de Economia Circular da Forética, contou com a participação de Daniel Campo, Diretor Comercial da BASF Ibérica, Gabriela Superchi, Senior Manager Business Development da Repsol, Marta Lara, Retail & Sustainability Manager Iberia da Sealed Air e María Pérez, Técnica especialista em Economia Circular do Grupo Nueva Pescanova. Nela ficou patente que o impulso de projetos empresariais relacionados com a reciclagem química é essencial para recuperar o valor de fluxos de resíduos muito complexos e voltar a introduzi-los em aplicações particularmente exigentes, como, por exemplo, as embalagens alimentares. Também salientaram como estas tecnologias estão a permitir às empresas avançar para uma maior circularidade e neutralidade climática.

 

Descarregue o relatório “Reciclagem Química em Espanha: Apostar num futuro circular”