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07/03/2026

AIMPLAS reúne mais de 150 especialistas em biopolímeros para debater sobre regulamentação, certificação e inovação

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AIMPLAS celebrou esta semana em Valência a nona edição do seu Seminário Internacional de Biopolímeros e Composites Sustentáveis, um evento que, com mais de 150 participantes e mais de 20 palestrantes, se consolidou como um encontro imprescindível a nível internacional para o debate técnico sobre regulamentação, certificação e inovação em torno dos biopolímeros.

Na primeira jornada, marcada pela profundidade técnica, especialistas internacionais analisaram como o novo marco regulatório europeu, e especialmente o Regulamento PPWR, está a transformar o design de materiais rumo a soluções de compostabilidade certificada. A primeira apresentação, a cargo de Lorette Du Preez, da European Bioplastics, sublinhou o crescimento previsto da capacidade de produção e a implementação da futura Estratégia de Bioeconomia, que exigem estabilidade normativa e um apoio firme ao escalonamento industrial para consolidar a procura no mercado. Segundo Du Preez, “embora atualmente os bioplásticos representem apenas 0,5% do mercado mundial dos plásticos, o setor prevê duplicar a sua capacidade global entre 2025 e 2030, com a Europa a passar de 330.000 para 800.000 toneladas anuais nesse período”. Durante a sua intervenção, destacou igualmente a relevância da Estratégia Europeia de Bioeconomia e do Regulamento relativo a embalagens e resíduos de embalagens (PPWR) e salientou: “num contexto marcado por novas iniciativas como a futura Estratégia de Bioeconomia e o regulamento europeu de embalagens, a mensagem política é clara: é necessário dar tempo ao mercado para se consolidar, garantir competitividade e estimular a procura, apoiando‑se nas oportunidades de financiamento europeias para I&D e escalonamento industrial”. Nesta linha, Rafael Auras, da Universidade de Michigan, defendeu que a adoção massiva destas tecnologias passa inevitavelmente por acelerar os processos de biodegradação, seja otimizando a estrutura química do material, seja melhorando as condições do meio onde ele se degrada. E María Mozo, da AIMPLAS, apresentou uma visão geral dos diferentes grupos de bioplásticos, destacou os aspetos-chave de biodegradação em diferentes ambientes e a compostabilidade juntamente com os ensaios necessários para obter certificação; além disso, centrou‑se na legislação europeia PPWR, a qual exigirá critérios de ensaio e certificação extremamente rigorosos para garantir um desempenho real em planta. Destacou também projetos que estão a ser desenvolvidos pela AIMPLAS relacionados com a aceleração de ensaios de biodegradabilidade e com ambientes abertos.

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A jornada continuou com um bloco dedicado à normalização e certificação, que contou com a participação de Francesca Braca, da ARCHA, que detalhou os protocolos experimentais alinhados com os padrões de rastreabilidade metodológica para resíduos em couro. De seguida, Ramón Plana, da plataforma Compostable by Design, apresentou uma proposta de manual técnico como ponte entre o laboratório e a indústria. Por sua vez, María Rocha, da DIN CERTCO, expôs os esquemas internacionais necessários para o acesso a mercados globais, enquanto a ASOBIOCOM atualizou os aspetos legislativos fundamentais para a correta rotulagem de materiais compostáveis em Espanha.
Após um workshop do projeto BIOSUPPACK, o bloco dedicado às matérias‑primas evidenciou o potencial do mercado através de casos de sucesso como o apresentado por Iván Navarro, da Prime Biopolymers, que apresentou a sua gama ZIMA otimizada para processos convencionais de injeção; ou o caso da Notpla, que, através de Luciana Bicalho, demonstrou a viabilidade de revestimentos à base de algas para papel. Também se destacou a contribuição de Jenifer Mitja, da TotalEnergies Corbion, com soluções de PLA reciclável e compostável, projetadas para evitar a persistência de microplásticos em aplicações têxteis e de higiene.

A primeira jornada concluiu com um bloco dedicado a casos de sucesso, conduzido por Jose Badia, da Universitat de València, que apresentou os seus trabalhos na valorização de biomasas vegetais, no desenvolvimento de membranas biobasadas para a descarbonização e em processos de reciclagem química com solventes neotéricos destinados a melhorar a estabilidade e a degradabilidade dos polímeros. Por sua vez, Octavio Garcia, da Universidade de Valladolid, apresentou os seus avanços na valorização de bioplásticos através de técnicas de fermentação acidogénica para a obtenção de ácidos gordos voláteis (VFA) como plataforma para novos materiais, destacando que o controlo do pH otimiza significativamente os rendimentos do processo.

Biopolímeros em ambientes abertos

A segunda jornada do seminário colocou o foco na aplicação dos biopolímeros em ambientes abertos, com especial atenção ao setor agrícola como um dos principais bancos de ensaio para a sustentabilidade dos materiais. A sessão começou com a intervenção de Bernard Le Moine, da APE Europe, que destacou o papel estrutural dos plásticos agrícolas na produtividade sustentável e como a biodegradabilidade certificada é a solução chave quando a recolha do resíduo é tecnicamente difícil. Na mesma linha, Miguel Ángel Domene, da Fundación Grupo Cajamar, apresentou o potencial dos produtos biodegradáveis de plasticultura dentro da economia circular, mostrando ensaios de campo para validação de uso e fim de vida, além de soluções inovadoras de funcionalização a partir de resíduos vegetais. Por sua vez, Francisco Javier Egea, da Universidade de Almería, aprofundou o ecossistema de bioeconomia circular na agricultura de estufa, sublinhando a importância de projetos de valorização da biomassa e da transição de polímeros fósseis para biobasados.

A análise técnica da saúde do solo teve um papel fundamental graças a Patrizia Schmidt, da BASF, que apresentou uma metodologia pioneira para distinguir entre microplásticos persistentes e fragmentos libertados por filmes acolchoados certificados como Ecovio®, demonstrando que estes últimos se integram no ciclo natural sem gerar resíduos tóxicos. Complementando esta abordagem, Sara Guerrini, da Novamont, detalhou as soluções Mater‑Bi para um fim de vida sustentável, partilhando estudos realizados com a Universidade de Bolonha sobre o efeito destes materiais no solo e o progresso do projeto europeu SOUL.

O bloco de casos de sucesso começou com Chelo Escrig, da AIMPLAS, que apresentou novos desenvolvimentos em plasticultura, incluindo novos produtos agrícolas para melhorar a eficiência hídrica nas culturas, a incorporação de insumos naturais e o desenvolvimento de revestimentos de libertação controlada para fertilizantes, todos biodegradáveis.

O bloco final de casos de sucesso industrial permitiu visualizar a transferência real destas tecnologias para o mercado. Matías Martínez e José Ignacio Valero, da Ercros, apresentaram a sua gama ErcrosBio® de revestimentos biodegradáveis para aplicações tanto agrícolas como de embalagem, enquanto Giovanni Grieco, da NUREL, partilhou casos de sucesso em culturas de tomate, pimento e milho utilizando biopolímeros INZEA, que permitem otimizar a temperatura do solo e o crescimento da planta de forma circular. O seminário explorou também fronteiras biotecnológicas com Antonio del Saz, da Beyond Seeds, que apresentou AGARENE®, um bioplástico derivado de algas vermelhas, concebido para ser funcionalizado segundo as necessidades do cultivo. Finalmente, Emanuele Martini, do Gruppo MAIP, encerrou o seminário com um estudo exaustivo sobre a cadeia de valor do PHA, defendendo o conceito de “Naturpolymer” como um material de origem microbiana capaz de se mineralizar totalmente em qualquer ambiente, consolidando assim a visão de uma indústria que não só inova no material, mas que garante a sua reintegração segura na biosfera.

Inovações ao alcance da mão

O seminário foi o palco para inovações reais através de uma área de demonstradores onde foram exibidos desde água sólida e hidrogéis de algas, até comprimidos e fertilizantes de libertação controlada que não só melhoram o rendimento agrícola, como também cuidam da saúde do solo, além de uma pequena “bodeguinha” fabricada a partir de subprodutos agrícolas onde foram mostrados os resultados da valorização de resíduos dos setores oleícola e vitivinícola. Foram ainda apresentadas estruturas marinhas biodegradáveis para a regeneração da vegetação e de organismos marinhos. Tudo isto reforçou o papel da AIMPLAS como parceiro tecnológico clave para acelerar a chegada destes materiais ao mercado sob um modelo de impacto positivo e responsabilidade social.

seminario biopolímeros AIMPLAS
A realização deste seminário é possível graças ao apoio das entidades patrocinadoras BASF, NOVAMONT, COLUMBUS INSTRUMENTS, ARCHA, ASOBIOCOM, GREAT PACKAGING, RAIZ Instituto de Investigação da Floresta e do Papel, DIN CERTCO, ENCO e NUREL.