Ensaios de Genotoxicidade
Ensaios in vitro para avaliação de danos no ADN
A genotoxicidade é a capacidade de um agente causar danos no material genético das células, o que pode levar à formação de mutações, alterações cromossómicas ou instabilidade genética.
Porque são necessários os ensaios de genotoxicidade e quando são recomendados?
Os ensaios de genotoxicidade são utilizados para avaliar a segurança de substâncias, materiais ou produtos de interesse devido ao seu contacto com as pessoas ou com o ambiente. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) recomenda a realização de uma bateria de ensaios in vitro como primeiro passo na avaliação do potencial genotóxico, incluindo um ensaio bacteriano de mutação reversa (Teste de Ames) e um ensaio de micronúcleos in vitro em células de mamíferos (EFSA Scientific Committee, 2011).
Esta estratégia é especialmente relevante para:
- Avaliação da segurança de materiais plásticos e dos seus componentes.
- Análise de substâncias migrantes provenientes de embalagens em contacto com alimentos.
- Identificação e avaliação de substâncias não adicionadas intencionalmente (NIAS).
- Estudos de biocompatibilidade em dispositivos médicos.
- Avaliação de contaminantes emergentes, como microplásticos ou aditivos.
Que ensaios de genotoxicidade realizamos na AIMPLAS?
No Laboratório de Bioensaios da AIMPLAS, realizamos uma série de ensaios in vitro capazes de detetar danos genéticos celulares a diferentes níveis, seguindo metodologias amplamente aceites a nível internacional e baseadas em orientações de organismos como a OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico):
- Teste de Ames (mutação reversa bacteriana)
- Ensaio de Micronúcleos in vitro
- Ensaio Cometa
Teste de Ames
O Teste de Ames é um ensaio biológico amplamente utilizado para avaliar a capacidade mutagénica de diferentes substâncias. O Comité Científico da EFSA (2011) destaca este ensaio como o mais adequado para detetar mutagénios reativos com o ADN, uma vez que apresenta um limite de deteção biológica muito baixo para compostos carcinogénicos genotóxicos de elevada potência.
Este método utiliza estirpes específicas de Salmonella typhimurium que necessitam do aminoácido histidina (his-) no meio de cultura para crescer. Se uma substância for mutagénica, poderá reverter essa condição e a bactéria conseguirá crescer sem a presença desse aminoácido.
Estes ensaios são realizados de acordo com a OECD Test Guideline 471 – Bacterial Reverse Mutation Test.
Ensaio de Micronúcleos
Este ensaio permite detetar danos cromossómicos em células eucarióticas em interfase. A EFSA recomenda este ensaio como parte da bateria básica de ensaios de genotoxicidade, pois permite detetar:
- Ruturas cromossómicas (clastogenicidade)
- Perda de cromossomas (aneugenicidade)
Este ensaio é realizado de acordo com a OECD Test Guideline 487 – In Vitro Mammalian Cell Micronucleus Test.