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09/03/2022

A AIMPLAS converte resíduos alimentares em novos materiais biodegradáveis para embalagens

AIMPLAS convierte residuos alimentarios en nuevos materiales biodegradables para envases

Cerca de um terço de todos os alimentos produzidos no mundo perde-se ou é desperdiçado, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Estas perdas englobam tanto a massa de alimentos comestíveis que é desperdiçada pela cadeia de abastecimento durante as etapas de produção, pós-colheita, processamento, etc., como os desperdícios que se produzem no final da cadeia alimentar, na venda a retalho e nos lares.

Alinhado com o modelo da economia circular, que é um dos principais elementos do Pacto Ecológico Europeu para um crescimento sustentável, e para dar uma nova vida aos desperdícios alimentares, a AIMPLAS trabalha no desenvolvimento de novas soluções de embalagens barreira biodegradáveis. Desta forma, cumpre-se o objetivo de converter em novos recursos os bioresíduos originados pela indústria alimentar no âmbito do projeto FASTBIOPACK, financiado pelo Instituto Valenciano de Competitividade Empresarial (IVACE) e pelos fundos FEDER.

“As embalagens biodegradáveis oferecem vantagens competitivas para produtos como as cápsulas de café ou monodoses de outros alimentos, como por exemplo molhos, uma vez que são produtos com um elevado teor orgânico nos resíduos que geram e a sua embalagem deveria ser concebida para que possa degradar-se com eles. Este tipo de alimentos apresenta um prazo de validade longo, até um ano, e as soluções de embalagem biodegradável que existem atualmente apresentam limitações”, refere Sofía Collazo, que lidera as investigações de Biodegradação e Compostabilidade na AIMPLAS.

Estes novos desenvolvimentos, além de serem biodegradáveis, apresentam propriedades barreira que protegem e prolongam a vida útil dos alimentos embalados. Além disso, a AIMPLAS investiga neste projeto um método acelerado inovador para a análise do processo de biodegradação que permita reduzir para metade o tempo de estudo deste processo nas novas estruturas. O desenvolvimento destes novos métodos para conseguir reduzir o tempo dos estudos de biodegradabilidade é relevante não só para o desenvolvimento do projeto, mas também para facilitar às empresas a realização de uma triagem de amostras eficaz e assim poderem escolher o produto mais adequado para colocar no mercado.

Nesta iniciativa, o centro tecnológico trabalha em colaboração com as empresas Ducplast, Vallesplastic, ITC Packaging, Papel Plast Pack e Gaviplas.

resíduos alimentares em novos materiais biodegradáveis para embalagens

Fomento da produção nacional de PLA

Também na linha de soluções para melhorar a sustentabilidade ambiental do sistema produtivo agroalimentar e reduzir o food waste, a AIMPLAS investiga com o projeto VALPLA os resíduos sólidos urbanos, os resíduos lácteos e cítricos, entre outros subprodutos da indústria agroalimentar, bem como a biomassa lignocelulósica como alternativas aos recursos fósseis para obter bioplásticos como o ácido poliláctico (PLA).

Segundo explica Belén Monje, líder das investigações em Tecnologia Química da AIMPLAS, “os resíduos produzidos pelos lares e os gerados pelo setor agroalimentar, mas que carecem de valor nutricional, apresentam um elevado potencial como alternativa aos recursos fósseis para elaborar bioprodutos de elevado valor acrescentado que podem ser utilizados para fabricar embalagens alimentares e cosméticas, implantes médicos ou filamentos 3D, entre muitos outros produtos”.

Os resultados do projeto representarão um avanço na produção de ácido poliláctico (PLA), o biopolímero com maior procura na atualidade, uma vez que não há nenhuma empresa em Espanha produtora deste polímero e a nível mundial há um número reduzido de empresas com estas capacidades.

Colaboram no projeto VALPLA, que conecta a biotecnologia, a indústria plástica e a agroalimentar com a gestão de resíduos, empresas como Polypeptide Therapeutic Solutions, Biopolis, Laurentia technologies, Vallés Plastic Films, Gaviplas, Plastire, Ducplast ou Agua Mineral San Benedetto.

Estes projetos contam com o financiamento da Conselleria d’Economia Sostenible, Sectors Productius, Comerç i Treball da Generalitat Valenciana através de apoios do IVACE com o cofinanciamento dos fundos FEDER da UE, no âmbito do Programa Operacional FEDER da Comunitat Valenciana 2021-2027. Estes apoios destinam-se a centros tecnológicos da Comunitat Valenciana para o desenvolvimento de projetos de I de caráter não económico realizados em cooperação com empresas para o exercício de 2021.

Fomento da produção nacional de PLA

IVACE