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25/03/2022

A AIMPLAS desenvolve um sistema integral para prevenir e filtrar os microplásticos das águas residuais

reciclado de residuos con base polimérica de almidón

Eliminar de forma eficiente os chamados microplásticos (partículas inferiores a 5 mm) e nanoplásticos (inferiores a 1 µm) das águas residuais e das suas lamas, para que possam ser reutilizadas em ambientes urbanos e agrícolas, é um dos desafios para aproveitar este recurso de forma ótima. E é que as tecnologias atuais utilizadas pelas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) ainda não estão preparadas para os eliminar completamente durante os processos de tratamento.

Para capturar os micro e nanoplásticos (MNP) das águas residuais, a AIMPLAS, Instituto Tecnológico do Plástico, está a desenvolver tecnologias inovadoras de depuração com membranas de ultrafiltração combinadas com processos de digestão anaeróbia à escala piloto, com uma eficiência esperada superior a 99 %, no âmbito do projeto PREVENPLAST, financiado pela Agência Valenciana de Inovação (AVI).

Neste projeto, está também a ser desenvolvida uma metodologia padronizada de análise qualitativa e quantitativa para a deteção, identificação e quantificação destas partículas. Permitirá estudar a eficácia das tecnologias de tratamento propostas e tornará possível o desenvolvimento de um guia de boas práticas que ajudará as indústrias a prevenir a geração destes materiais e a sua libertação para o ambiente.

capturar os micro e nanoplásticos das águas residuais

Uma solução pioneira na Europa

A União Europeia conta com cerca de 5300 ETAR, pelo que os resultados obtidos no projeto PREVENPLAST, nas palavras de Juan Francisco Ferrer, investigador do laboratório de Caracterização da AIMPLAS, “representarão uma solução avançada para a eliminação de micro e nanoplásticos nos efluentes industriais, uma vez que atualmente não existe na Europa nenhum sistema com estas características, baseado na tecnologia de biorreatores anaeróbios de membrana (AnMBR), instalado. Além disso, facilitará às empresas a implementação de medidas preventivas nos seus processos industriais e permitir-lhes-á antecipar-se a futuras restrições legais”.

Em concreto, a AIMPLAS está a avaliar, numa ETAR com amostras de águas residuais e lamas e numa unidade piloto de transformação de plástico, tanto a presença de micro e nanoplásticos em diferentes pontos dos processos envolvidos e a capacidade de minimizar a sua geração, como a sua recuperação através das tecnologias de membranas de ultrafiltração de fibra oca e digestão anaeróbia. Do mesmo modo, está a analisar a eficiência e a estabilidade a longo prazo destas novas ferramentas do ponto de vista técnico, económico e ambiental, para a sua otimização.

A solução proposta terá um grande impacto económico em diversos setores, como o do tratamento de águas residuais e o da transformação de plásticos, entre outros, e impulsionará acordos multissetoriais. Assim, a AIMPLAS trabalha neste projeto com a colaboração da empresa Global Omnium, do Grupo de Investigação CALAGUA da Universitat de València (UV) e do Instituto de Engenharia da Água e do Ambiente (IIAMA) da Universitat Politècnica de València (UPV).

melhorar a gestão de resíduos e impulsionar uma edificação sustentável

Soluções de economia circular para ambientes mais habitáveis

Outra das iniciativas de economia circular em que a AIMPLAS trabalha é a BIOREACT, centrada na reciclagem de resíduos de base polimérica de amido, como os sacos ou as coberturas utilizadas na agricultura. Atualmente, não existe um método específico para a sua reciclagem e o seu destino final, após a vida útil, é a compostagem ou a biodegradação nos solos. Graças a este projeto, no qual colabora com a Universitat de València (UV), a PICDA e a Viromii, estes resíduos serão valorizados e transformados num produto de elevado valor acrescentado, como o ácido láctico, que pode ser utilizado para a produção de ácido poliláctico (PLA), um dos bioplásticos com maior procura e com escassez atual de produção.

Do mesmo modo, em conjunto com o Laboratório de Contaminação de Alimentos (COAL) da Universitat de València (UV) e a ITC Packaging, o Instituto Tecnológico do Plástico investiga, no âmbito do projeto REUSEPHB para conceber embalagens reutilizáveis inovadoras à base de polihidroxibutirato (PHB), seguras em termos de aptidão alimentar e compostáveis. Trata-se de embalagens totalmente inovadoras, uma vez que atualmente não existem no mercado opções baseadas nestes biopolímeros, pois as alternativas existentes são à base de ácido poliláctico.

Também para melhorar a gestão de resíduos e impulsionar uma edificação sustentável, de modo a construir ambientes mais habitáveis, a AIMPLAS está a criar uma solução que transforma colchões fora de uso (CFU) em matéria-prima para aplicações na construção, como painéis para revestimento de paredes e pavimentos com propriedades de isolamento térmico e acústico. Estima-se que só na Comunidade Valenciana sejam gerados cerca de 300 000 CFU por ano e grande parte deles acaba em aterros. Assim, através do projeto ORACLE, em colaboração com a Universitat Politècnica de València (UPV), a Delax, a Girsa e a Recipur Eco, trabalha-se para eliminar as barreiras à reciclagem destes objetos tão comuns.

Estes projetos foram financiados no âmbito do Programa de apoios com o cofinanciamento dos fundos FEDER da UE, no âmbito do Programa Operacional FEDER da Comunitat Valenciana 2014-2020, convocados pela Resolução de 14 de janeiro de 2021, do vice-presidente executivo da Agência Valenciana de Inovação (AVI), e destinados ao reforço e desenvolvimento do Sistema Valenciano de Inovação para a melhoria do modelo produtivo para os exercícios de 2021 a 2023.

AVI