A Economia Circular chega ao setor elétrico-eletrónico para impor novos modelos de negócio
Ao longo deste ano, estima-se que iremos gerar mais de 12 milhões de toneladas de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE), um tipo de resíduos que cresce a taxas de 3 % a 5 % ao ano e que é constituído por uma mistura complexa de materiais de elevado valor, mas que, quando depositados incorretamente, podem causar problemas ambientais e de saúde.
A AIMPLAS coordena o projeto C-SERVEES com o objetivo de impulsionar uma Economia Circular eficiente na utilização dos recursos no setor elétrico-eletrónico, através do desenvolvimento de novos modelos de negócio circulares. Para o efeito, foram selecionados quatro tipos de produtos: máquinas de lavar roupa, impressoras laser e os seus cartuchos de toner, televisores e equipamentos de telecomunicações, cuja viabilidade está a ser avaliada.
Modelos de negócio circulares
Estes modelos de negócio baseiam-se em serviços eco-inovadores, como o eco-leasing, a personalização dos produtos, uma melhor gestão dos REEE e serviços TIC para dar suporte aos restantes serviços. Precisamente agora, estão a ser desenvolvidas as ferramentas TIC que, graças às sinergias entre a Economia Circular e a Indústria 4.0, permitirão pôr em marcha os novos modelos de serviços circulares, para os quais também foram tidas em conta as barreiras e oportunidades detetadas pelas partes interessadas através de uma consulta.
Assim, graças a uma comunicação bidirecional, o fabricante poderá redesenhar o seu produto para o personalizar e otimizar o seu fim de vida de acordo com os requisitos dos utilizadores e dos gestores de resíduos. Por sua vez, os consumidores poderão melhorar os seus padrões de consumo para outros mais sustentáveis, enquanto os gestores de resíduos terão acesso a informação útil para facilitar a reutilização e a reciclagem dos REEE, tudo isto graças a códigos QR marcados em cada produto.
Para replicar e transferir este modelo, o projeto prevê o desenvolvimento de um conjunto de guias de ecodesign para equipamentos elétricos e eletrónicos, recomendações de políticas que permitam superar as atuais barreiras legislativas e um quadro para normalizar a Economia Circular.
Financiamento
O projeto C-SERVEES é financiado pela União Europeia no âmbito do programa H2020 e nele participam 10 países. Juntamente com a AIMPLAS, colaboram também o centro tecnológico Gaiker, a Loughborough University, a SAT, a Lexmark, a ADVA, a Arçelik, a Rina Consulting, a Emaús, a Indumetal, a Greentronics, o WEEE Forum, a CIRCULARISE, a Particula Group e a Vertech Group. 65 % do consórcio é representado por PME e grandes empresas,