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08/05/2025

Revestimentos e compósitos ignífugos sustentáveis para aumentar a segurança na construção e na mobilidade

REFUGI 1 baja

Existe uma preocupação crescente com o impacto ambiental gerado por setores industriais-chave, especialmente em áreas como a construção e a mobilidade, onde a obtenção de materiais com boas prestações mecânicas, mais leves e com maior resistência ao fogo desempenha um papel crucial. Neste contexto, a AIMPLAS, Instituto Tecnológico do Plástico, está a trabalhar em dois projetos financiados pelo Instituto Valenciano de Competitividade e Inovação (IVACE+i), com o apoio dos fundos FEDER, para obter, de forma sustentável, novos revestimentos e materiais compósitos ignífugos que aumentem a segurança nos lares e nos meios de transporte.

Por um lado, o principal objetivo do projeto REFUGI é o desenvolvimento de retardantes de chama à base de fósforo, através do recurso a processos mecanoquímicos, que representam um avanço rumo a processos mais respeitadores do ambiente. Estes retardantes de chama estão a ser integrados em formulações de vernizes especialmente concebidas para utilização em madeira. Esta estratégia visa melhorar as propriedades ignífugas dos revestimentos utilizados no setor da construção.

A investigadora líder em Mecanoquímica e Extrusão Reativa na AIMPLAS, Carolina Acosta, explicou que “a utilização de vernizes ignífugos tem-se generalizado nos últimos anos, uma vez que oferecem um acabamento praticamente idêntico ao de qualquer revestimento para madeira, com a vantagem de conferir uma maior resistência ao fogo, atrasando a sua propagação e os seus efeitos em caso de incêndio. Estamos a concentrar-nos na exploração de diferentes fontes de materiais para produzir estes retardantes de chama, dando prioridade aos que sejam renováveis e recicláveis”.

Os esforços desta investigação, na qual colaboram as empresas Omar Coatings e Decomader, visam não só melhorar a eficiência na produção dos retardantes de chama, mas também reduzir o impacto ambiental associado ao seu fabrico e aplicação.

A aplicação da mecanoquímica na produção destes compostos representa uma abordagem inovadora e promissora, que amplia as possibilidades da química verde e do fabrico sustentável. Estamos a procurar formas inovadoras de sintetizar os ignífugos, utilizando processos que minimizem o uso de solventes e exijam menos recursos e tempos de reação, maximizando a eficiência. Além disso, investigamos também tecnologias de aplicação de revestimentos que permitam uma distribuição uniforme e eficiente dos ignífugos sobre substratos de madeira”, acrescentou Acosta.

Materiais compósitos ignífugos de altas prestações

Por sua vez, o projeto NEOCOMP centra-se no desenvolvimento de materiais compósitos ignífugos de altas prestações através de tecnologias avançadas de fabrico. Isto traduz-se na obtenção de diversas peças por meio de processos industriais inovadores, como deposição por fibra seca ou DFP (Dry Fiber Placement) e fabrico aditivo. Estes materiais compósitos não só devem oferecer altas prestações em termos de resistência mecânica, durabilidade e resistência à chama, como também devem contribuir significativamente para a redução do impacto ambiental na construção e na mobilidade.

O investigador em Construção e Energias Renováveis na AIMPLAS, Jaime Lozano, sublinhou que “estamos a trabalhar em novos materiais compósitos concebidos para cumprir os requisitos de eficiência energética, circularidade, desempenho mecânico e propriedades ignífugas, contribuindo assim para a redução do impacto ambiental das atividades industriais e para o avanço rumo a uma economia mais verde e circular”.

Em concreto, o NEOCOMP desenvolverá binders termoplásticos ignífugos para fibra seca, fitas de fibra seca unidirecionais para DFP e filamento 3D reforçado de forma contínua. As novas abordagens de fabrico permitirão, por um lado, a produção eficiente de pré-formas com geometrias complexas e, por outro, a produção de peças compósitas personalizadas com propriedades mecânicas melhoradas, maior resistência à fadiga e excelente resistência ao fogo, o que abrirá novas oportunidades em setores como a construção, a indústria automóvel e a aeronáutica.

As empresas Ziur Composites e IT3D colaboram nesta investigação, que pretende reduzir de forma considerável o impacto ambiental e melhorar a segurança contra incêndios em infraestruturas críticas de mobilidade e construção.

Ambos os projetos estão incluídos no programa de apoios do IVACE+i dirigido a centros tecnológicos da Comunitat Valenciana para projetos de I de caráter não económico realizados em colaboração com empresas para o exercício de 2024, financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) da União Europeia, no âmbito do Programa Operacional 2021-2027.

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