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20/02/2024

Um projeto permitirá converter os resíduos plásticos biodegradáveis em energia verde

Valplast

Valorizar resíduos plásticos biodegradáveis através de tratamentos de codigestão anaeróbia com lamas provenientes de ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) e, deste modo, obter uma corrente de biogás que possa ser utilizada como vetor energético e um digestato para utilização na agricultura.

Este é o principal objetivo do VALPLAST (Valorização de bioplásticos através de codigestão anaeróbia em estações de tratamento de águas residuais), um projeto estratégico no qual participa um consórcio integrado pelo AIMPLAS, o grupo CALAGUA Unidade Mista UPV-UV (composto pelo Instituto de Engenharia da Água e Meio Ambiente da Universitat Politècnica de València e o departamento de Engenharia Química da Universitat de València) e as empresas Global Omnium Medioambiente e Fych Technologies.

O projeto – financiado pelo Instituto Valenciano de Competitividade e Inovação IVACE +i, no âmbito dos projetos estratégicos em cooperação 2023 da União Europeia – procura implementar uma alternativa na gestão de resíduos de embalagens plásticas biodegradáveis diferente da atual e alinhada com os princípios da economia circular.

“A principal inovação do projeto passa por conceber os bioplásticos como um recurso que possa ser valorizado e transformado em energia verde”, destacam os investigadores participantes no projeto.

Para tal, será estudada a degradação de diversos plásticos através de tratamento biológico com lamas provenientes de uma estação de tratamento de águas residuais urbanas em condições anaeróbias, tanto à escala laboratorial como piloto. Por sua vez, será avaliado o possível efeito que os aditivos utilizados na síntese dos plásticos (convencionais e bioplásticos) têm, tanto no processo de tratamento anaeróbio como na posterior qualidade das lamas digeridas, sendo a sua principal aplicação o aproveitamento agrícola.

Também se trabalhará no desenvolvimento e otimização de sistemas de instrumentação e controlo da planta-piloto, bem como na análise de custos e de ciclo de vida, “imprescindíveis para poder avaliar a sustentabilidade ambiental e económica do tratamento proposto”, destacam do consórcio.

Presença de microplásticos nas lamas

Após o processo de valorização, pretende-se analisar também a presença de microplásticos nas lamas, para o que será utilizada a metodologia de análise desenvolvida pelo AIMPLAS nos anteriores projetos MICROPLAST e PREVENPLAST, graças à qual é possível a medição destes contaminantes emergentes tanto nas águas residuais como nas lamas geradas nas ETAR.

Tudo isto desenvolverá uma metodologia para a valorização energética de bioplásticos em digestores de ETAR que permitirá uma melhor gestão destes resíduos, uma vez que possibilitará o seu aproveitamento energético.

Por último, cabe destacar também a experiência prévia que parte deste consórcio possui na execução e colaboração de outros projetos de I+D relacionados com o objetivo do presente projeto, como são o AVI MICROPLAST e o AVI PREVENPLAST.

Parceiros do projeto

O VALPLAST tem uma duração de 28 meses e conta com a participação dos investigadores do grupo CALAGUA do IIAMA-UPV Joaquín Serralta (investigador principal), José Ferrer, Ramón Barat e Daniel Aguado. O AIMPLAS participa no projeto através do seu Laboratório de Microplásticos liderado pelo investigador Juan Francisco Ferrer Crespo. Da mesma forma, a empresa emergente Fych Technologies S.L. também participa no consórcio de empresas através dos seus laboratórios e da planta-piloto localizada no Parque Científico de Alicante (PCA) sob a supervisão das doutoras e cofundadoras Andrea Cabanes e Oksana Horodytska, com especialização principalmente na delaminação de embalagens multicamada, na desodorização e descontaminação de plásticos. A empresa Global Omnium Medioambiente também participa no VALPLAST. Assim, o consórcio constitui uma equipa multidisciplinar que abrange o setor da reciclagem do plástico, o do tratamento de águas residuais e o de desenvolvimento e aplicação de novos conhecimentos, como são as universidades e centros tecnológicos.