A AIMPLAS cria uma ‘garra’ robótica para facilitar a reabilitação de lesões musculoesqueléticas
A robótica flexível, conhecida também como soft robotics, permite criar robôs com materiais flexíveis e uma estrutura que imita a morfologia e os movimentos maleáveis de animais invertebrados, como os polvos ou as minhocas, o que lhes permite realizar as tarefas mais delicadas sem danificar o objeto a manipular. Assim, a sua utilização no âmbito da saúde, como é o caso da reabilitação, melhora a eficiência dos exercícios a realizar e o acompanhamento do processo de recuperação da pessoa.
Neste contexto, a AIMPLAS está a desenvolver uma ‘garra’ inteligente que facilita os processos de reabilitação de pacientes com lesões musculoesqueléticas e problemas de mobilidade reduzida através da orientação de movimento e dos sensores de pressão integrados que permitem monitorizar e regular a pressão exercida sobre o membro a tratar. Trata-se, concretamente, de um demonstrador pneumático flexível em forma de garra no qual trabalha com o projeto SOFTRONIC, financiado pelo Instituto Valenciano de Competitividade Empresarial (IVACE).
Ao avaliar e estudar os movimentos da pessoa durante um processo de reabilitação, segundo explica o responsável pela investigação Roberto Dart, “a integração de sensores flexíveis que respondam a variações físicas da tecnologia proposta permite monitorizar parâmetros como a deformação, a temperatura ou a pressão, entre outros. Além disso, o processamento de soft robotics através de tecnologias de fabrico aditivo permite personalizar ortóteses e próteses em função das necessidades de cada paciente”.
Assim, o instituto está a criar, com a colaboração de empresas de referência nos setores da saúde, da robótica industrial e do fabrico aditivo, como são a Robotnik, Sinfiny, Tequir, IT3D ou o Centro Ortopédico de Valencia, uma solução que integra as distintas tecnologias emergentes do setor do plástico para desenvolver dispositivos poliméricos inteligentes focados nos setores da robótica industrial e saúde, com um banco de ensaios de fabrico aditivo híbrido e modular com o qual se poderá processar materiais elastómeros e/ou plastómeros, bem como depositar tintas condutoras sobre a peça.
A combinação de tecnologias de impressão 3D híbrida, nas palavras de Roberto Dart, “é um elemento inovador, já que implica a integração de uma rede de atuadores, sensores, controlos e sistemas de energia em robôs flexíveis através de um único processo de fabrico digital sob demanda, que resultará num produto totalmente personalizado. Da mesma forma, a impressão conformada de múltiplos materiais permite a incorporação de eletrónica e sensórica na estrutura do robô flexível, o que facilita a autoaprendizagem e uma maior interação do robô com o ambiente”.
Uma medicina cada vez mais personalizada
Também para contribuir para uma medicina cada vez mais personalizada, a AIMPLAS trabalha no projeto NUTRAFARM, juntamente com a Asacpharma, Korott, Tequir I+D e IT3D, em formulações farmacêuticas e nutracêuticas para obter produtos inovadores e customizados através da impressão 3D. A tecnologia utilizada, compounding ou hot melt extrusion, é muito versátil e permite desenvolver e processar formulações muito complexas num só passo, o que representa uma poupança de energia, uma maior reprodutibilidade e biodisponibilidade do fármaco, além de evitar o consumo de solventes.

“Além de poder conseguir doses mais precisas de medicamentos para cada paciente, a tecnologia utilizada possibilita obter num só passo, películas bucodispersáveis, filamentos que posteriormente serão utilizados em impressão por FDM -modelação por deposição fundida- ou a utilização dos pellets para a impressão direta com impressoras que estão preparadas para trabalhar com este formato. O projeto reduz os passos de processamento e a poupança de materiais, com todas as vantagens que isso traz associado, e potencia a eficácia dos princípios ativos e a sua libertação graças ao tipo de tecnologia utilizada”, destaca Raquel Llorens-Chiralt, investigadora principal do projeto NUTRAFARM.
Estes projetos contam com o financiamento da Conselleria d’Economia Sostenible, Sectors Productius, Comerç i Treball da Generalitat Valenciana através de apoios do IVACE com o cofinanciamento dos fundos FEDER da UE, no âmbito do Programa Operacional FEDER da Comunitat Valenciana 2021-2027. Estes apoios destinam-se a centros tecnológicos da Comunitat Valenciana para o desenvolvimento de projetos de I de caráter não económico realizados em cooperação com empresas para o exercício de 2021.
