Análise de microplásticos em águas de consumo através de espetroscopia vibracional µ-FTIR
Com a entrada em vigor do Decreto Real 3/2023, de 10 de janeiro de 2023, estabeleceram-se os novos critérios técnico-sanitários para a qualidade da água de consumo, o seu controlo e fornecimento. Este substitui o Decreto Real 1798/2010, que regula a exploração e comercialização de águas minerais naturais e águas de nascente embaladas para consumo humano. Uma das novidades do Decreto Real 3/2023 é a inclusão dos microplásticos na lista de observação do ANEXO IV. Aparece no ponto 4 e estabelece que serão incluídos na lista quando a Comissão Europeia adotar uma metodologia normalizada para medir os microplásticos em águas de consumo. (Disposição 628 do BOE n.º 9 de 2023)
No passado dia 11 de março de 2024, o Parlamento e a Comissão Europeia aprovaram uma nova medida que complementa a Diretiva (UE) 2020/2184, especificamente o artigo 13.º, adotando uma metodologia para medir os microplásticos na água destinada ao consumo humano. Além disso, foi aprovado o anexo a esta diretiva, no qual se detalha a metodologia de análise.
Metodologia de análise
Esta metodologia baseia-se na passagem de um volume mínimo de 1000 litros de água através de vários filtros em cascata. Este método limita-se a partículas com dimensões entre 20 µm e 5 mm e a fibras com um comprimento entre 20 µm e 15 mm. Posteriormente, os filtros devem ser analisados através de microespetroscopia vibracional, como µ-FTIR, µ-RAMAN ou outras técnicas como (QCL)-IR. Os resultados obtidos durante a análise permitem categorizar as partículas pela sua forma, tamanho, composição e natureza do polímero. A identificação de partículas e fibras a partir de espetros adquiridos deve ser realizada por comparação com espetros de polímeros conhecidos contidos numa biblioteca espetral. A biblioteca utilizada para a identificação deve conter espetros dos polímeros prioritários e, além disso, conterá exemplos de proteínas, minerais e polímeros naturais, como a celulose, que poderiam estar comummente presentes na água destinada ao consumo humano.
Além disso, o documento também descreve como validar a metodologia de análise de microplásticos nas águas destinadas ao consumo humano.
É necessário verificar a percentagem de recuperação ao realizar a filtragem da água. Para tal, utilizando padrões dos principais polímeros, como o polietileno (PE) e o tereftalato de polietileno (PET), deve obter-se uma taxa de recuperação entre 40 % e 100 %.
Deve ser analisado, pelo menos, 20 % da superfície total do filtro, seguindo uma estratégia adequada para manter a representatividade da amostra.
Também é muito importante analisar um mínimo de dez brancos para poder calcular a média e o desvio padrão da contaminação, que será utilizada para controlar as variações durante as análises.
Finalmente, para a identificação dos microplásticos, é necessário o uso de bibliotecas de espetros de polímeros conhecidos. Para garantir uma identificação positiva dos polímeros, devem ser realizadas verificações experimentais que permitam avaliar os critérios de aceitação das correspondências espetrais.
Estas medidas asseguram que o processo de análise seja fiável e reprodutível e, além disso, permitem identificar possíveis fontes de erro ou contaminação nos resultados.
Como podemos ajudá-lo a partir do AIMPLAS?
No AIMPLAS, trabalhamos na análise de microplásticos em águas de consumo através de µ-FTIR para nos anteciparmos à próxima legislação e ajudar as empresas que necessitem de cumprir esta nova regulamentação. Para tal, contamos com uma metodologia validada graças aos padrões de microplásticos.
Na análise dos filtros através de µ-FTIR, digitaliza-se a área do filtro que contém a amostra. É recomendável que o filtro esteja completamente tenso e que não se formem desníveis. Para isso, podem ser utilizados suportes de filtros como o apresentado no painel (a) da Figura 1. A imagem obtida da digitalização denomina-se imagem química, painel (b), e é formada pela acumulação dos espetros realizados durante a digitalização. Em seguida, processa-se a imagem (painel c), onde se mostram de forma mais clara as partículas detetadas. Finalmente, selecionam-se os espetros correspondentes a cada partícula e comparam-se com a biblioteca de espetros (painel d).

Análise de uma amostra de água de consumo através de µ-FTIR. Suporte de filtros com uma amostra para analisar (a). Imagem química obtida (b). Imagem processada (c). Comparação do espetro obtido com a biblioteca (d).
Se necessitar de realizar uma análise de microplásticos, não hesite em contactar o nosso laboratório.