Recuperação de fibras
É uma oportunidade para as utilizar em novos compósitos e dar uma solução a estes resíduos pré-consumo ou pós-consumo.
Os materiais compostos ou compósitos são formados por dois ou mais componentes, apresentando os materiais finais propriedades superiores às dos componentes separadamente. Os componentes principais são uma matriz polimérica e um reforço. A matriz configura a geometria da peça e confere coesão, enquanto o reforço aporta rigidez e resistência.
Em muitos casos, a sua reciclagem tem-se centrado numa reciclagem mecânica, obtendo uma recuperação como carga do compósito global, com um baixo valor acrescentado. No entanto, a recuperação das fibras de forma pura, para voltarem a ser utilizadas em novos compósitos, constitui uma realidade interessante, uma vez que apresenta uma menor pegada de carbono do que as correspondentes fibras virgens, além de dar uma solução clara a estes resíduos pré-consumo ou pós-consumo.
Como se recuperam as fibras?
Esta recuperação de fibras (de carbono ou de vidro, principalmente) é possível a partir de processos de reciclagem química. Processos de solvólise (como a glicólise ou a acidólise, entre outras) ou termólise (como a pirólise) permitem a rutura da cadeia polimérica que acompanha a fibra, permitindo a sua libertação e, portanto, a sua recuperação e reincorporação no mercado como material reciclado.
Após o processo de reciclagem química, a fibra recuperada deve ser tratada através de processos de ensimagem para ser utilizada novamente como matéria-prima reciclada, mantendo o comprimento da fibra, o que preserva uma boa resistência da mesma e, consequentemente, confere boas propriedades ao produto final. O processo de ensimagem melhora a união dos dois elementos (matriz e fibra) e diminui o efeito de duas fases, proporcionando boas propriedades finais.
Na reciclagem química dos compósitos, também se podem obter produtos como monómeros, oligómeros ou outras substâncias químicas da matriz polimérica ou resina. Estes produtos são aproveitados e introduzidos no mercado como matéria-prima reciclada na indústria química ou na de polímeros, consoante os casos.